Afinal, um pedal normal! Ufa!

Hoje foram quase 51Km com 793m de elevação acumulada, forte mas dentro do normal. O trajeto tem duas partes na rodovia (SP 171), o que nenhum ciclista MTB aprecia, mas as partes em terra compensam. No total, são cerca de 21Km no asfalto, numa rodovia com bons acostamentos. O restante é só diversão, ainda mais considerando que as descidas predominam no percurso – perda de 1.143m, contra os 793m de subida.

Primeiro trecho de terra – Km 1 ao 13

Saindo de Cunha, percorri a Av. Antônio Luiz Monteiro até o final e peguei a Estrada Real atravessando uma ponte e, como é claro, comecei subindo. E muito!

Primeiro marco do dia, ao cruzar uma ponte, saindo da cidade

A primeira subida a gente nunca esquece. E como esta era pavimentada com o mesmo tipo de lajotas da serra de Paraty, fiquei pensando se iria, de novo, ficar empurrando a bike pelas ladeiras. Felizmente, não foi tanto, mas quase. Estando ainda frio, precisei fazer duas paradas para completar a ladeira e tive tempo de olhar para trás e despedir-me de Cunha.

Vista de Cunha do ponto de vista de quem está bufando na metade da primeira subida

As lajotas – e a subida – terminaram. Descortinou-se então uma estrada boa, de chão cor de tijolo, que ia ondulando pelo cenário de fazendas, por entre morros suaves e alguns bosques. Me ocorre agora que vi nesta estrada muitos marcos em locais onde não havia encruzilhada, desperdiçados, do ponto de vista de orientação, enquanto há tantos outros pontos (como comentei no post precedente) onde há falta de sinalização.

Marco da ER em local sem encruzilhada
Árvore seca, solitária numa grande área de pastagens

Um trecho relativamente curto, de descida mais longa, estava asfaltado, mas o vale era tão bonito que nem consegui praguejar.

Logo, chegando ao leito do vale, voltou o chão alaranjado, com fazendas de criação de gado espalhadas pelos vãos da morraria.

E por assim foi, até que no fim cruzei o nosso já conhecido rio Jacuí (aquele da captação de água de Cunha e da cachoeira do Pimenta) e comecei a subir a encosta oposta do vale.

Vista da ponte sobre o rio Jacuí

Depois de um bom pedaço de subidas, passando já de uma hora de pedal, fiz a primeira parada para hidratação ao lado de mais um marco desperdiçado e me deliciei com a maçã que a dona da pousada me dera na saída.

Marco da ER desperdiçado, em local em que só há entrada de fazendas

Depois, mais subidas e descidas, fazendas e bosques sem fim. O dia começava muito favorável para pedalar. O céu prosseguia encoberto por nuvens altas, produzindo uma claridade brilhante, mas sem o castigo do sol aberto. Bom, a propósito, também para fotografar e registrar nuances de sombras suaves, desde que evitando-se grandes áreas de céu esbranquiçado.

Saída de bosque, vendo-se ao fundo uma fazenda

Algum tempo depois, a estrada de terra encontra-se com a rodovia e com o lixo que seus usuários não cansam de atirar ao chão. É incrível, mas não há nada mais incivilizado do que as marcas da dita civilização.

Primeiro trecho de rodovia Km 13,2 ao 30,5

Um segmento longo e repleto de grandes subidas, onde o acostamento se torna “pista adicional”, aumentando os riscos para os ciclistas.

Como a rodovia é movimentada, com muitos viajantes a turismo, existem muitas paradas para comer ou beber no percurso, sendo possível repor água com facilidade, embora não tenha sido o meu caso, porque saí com quase 3 litros no Camelback.

Nesta passagem, notei vários trechos de mato queimado, sendo a redondeza da estrada, no geral, de pastagens com aparência degradada, um desperdício de morros e ondulações, por si tão elegantes. Felizmente, há exceções, propriedades cuidadas, reflorestamentos.

Trecho simpático da rodovia, com ipê florido

Há partes, também, com matas relativamente preservadas e até pequenos segredos escondidos ali ao lado do asfalto, que quem passa de automóvel não tem tempo de notar.

Cascata ao lado da rodovia, em área particular

Alguns quilômetros antes desta cascata, na altura do Km 18, há a vila de Paraitinga, com sua igreja e as grandes árvores que também fotografei.

Quando eram 10:30h, eu estava aproximadamente no meio do caminho (Km 25). Então, vi um lindo sítio com uma área sombreada à beira da estrada, com um banco rústico que, nesta redondeza, marca o local de ponto de ônibus. Resolvi fazer ali a segunda parada de descanso e hidratação e aproveitei para retratar a “magrela”, toda carregada.

Depois do descanso, foram mais 5,5 Km de asfalto, a passagem da cascata que já mostrei e, afinal, apareceu o marco à esquerda, indicando a entrada do segundo trecho de terra.

Segundo segmento em terra – Km 30,5 ao 40

Feliz por pedalar de novo numa pedregosa e poeirenta estradinha, nem me importei com o subidão que veio. Mas, era curto e logo descortinou vistas lindíssimas das encostas dos vales, tendo o paredão da Mantiqueira a marcar, lá na distância, o horizonte enevoado.

Paisagem com a silhueta da Serra da Mantiqueira enevoada, ao fundo

Seguiram-se belas fazendas, pastos é matas, como antes. Mas havia uma diferença notável na cor do chão da estrada, que se tornara claro e um tanto pedregoso.

Casa de fazenda e árvores circundantes

A inclinação do percurso agora se acentuava para baixo, iniciando-se uma longa descida, bastante íngreme em alguns pontos. As vistas do vale (será que aqui já posso chamar “do Paraíba”?), de tirar o fôlego.

A estrada adiante, descendo o vale, com a sombra da Mantiqueira no horizonte

Perto do meio-dia, o calor estava grande, em torno de 28°C e estava difícil de achar uma boa sombra para desfrutar do lanche de trilha. Acabei optando por uma sombra de bambuzal, não muito grande, mas suficiente para abrigar a bike e o ciclista, na beira da estrada. O lanche consistiu de um sanduíche de queijo em pão integral, direto do café da manhã da pousada, mais bananinha e paçoca. Água à vontade, porque havia bastante. Oportuno mesmo foi poder registrar um simpático e diminuto visitante, que também quis aproveitar a sombra.

Último segmento, rodovia e acesso à cidade – Km 40 ao final

Vencido o segundo trecho em terra, tomamos de novo a rodovia, para finalizar a jornada. Após o Km 44 a estrada real diverge mais uma vez da rodovia, mas por somente 2 km e a ela retorna. Afinal, no Km 48,5, junto a um ponto de ônibus, sai a estrada de acesso ao centro da cidade, também asfaltada, mas com seus pequenos encantos de periferia.

Depósitos e ferros-velhos, na estrada de acesso ao centro de Guaratinguetá
Ipê amarelo num terreno baldio

Daí foi um pulo até a catedral de Santo Antônio, que dá de canto para o Kafé Hotel, onde peguei mais um carimbo e me instalei antes das 13 horas, horário decente para se chegar do pedal, tomar uma ducha, lavar a roupa e almoçar. A propósito, enquanto procurava restaurante para o almoço, me deparei com mais um ipê florido, agora dos brancos.

Ipê branco, na pracinha da rua José Bonifácio

Notas técnicas do pedal

Percurso no Strava

Pedalada no RideWithGps

Pedalada no Garmin Connect

Amanhã tem mudanças de planos. Vou dormir no motel!

No projeto original, estavam previstos um segmento de Guaratinguetá a Cachoeira Paulista e outro daí para Passa Quatro. O primeiro segmento ficava muito curto (36,8km com 317m de ganho acumulado de elevação) e o outro muito pesado (43,6km com 934m de ganho acumulado de elevação). O problema é que não há hotéis, pousadas, nem hospedarias na Vila do Embaú, que seria o ponto mais adequado de pernoite. (Atenção para quem ler, no site da ER sobre uma tal Pousada Pedra Branca. Ela fechou.)

Pensando e procurando no Google Maps, verifiquei que há, entretanto, um motel na Vila do Embaú que, consultado, informou que aluga quarto para pernoite. Então, é para lá que vou amanhã, ficando assim as próximas duas etapas: Guaratinguetá à Vila do Embau (39,6km com 432m de ganho); Vila do Embaú a Passa Quatro (32,4km com 791m de ganho).

4 comentários sobre “ER+RI 02 De Cunha a Guaratinguetá

  1. Bela narração descritiva! Pedalei junto, ja que saio mt pouco, foi delícia! Não entendi pq vc não entrou em Paraimamaetinga. Se bem me lembro e mt linda, pitoresca… Em um momento, vc usou a 1a do plural. Tem gente pedalando com com vc? Fiquei feliz de ver vc feliz!

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    1. Estou pedalando sozinho. A Bia e um casal amigo vão me encontrar para fazer um pedaço do caminho, a partir de Caxambú, mas é só.
      A vila de Paraitinga por onde passei não é a cidade de mesmo nome, que você já conheceu. A coincidência é devida ao rio Paraitinga, que banha as duas.

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